Artigos listados em Rita Schultz – Corpo Cindido
Rita Schultz - Corpo Cindido »
nas tuas ordenadas manhãs
não te esqueças de mim
nas tardes azuis silenciosas
quando uns olhos aprisionarem outros
não te esqueças de mim
quando teus serenos dedos
uma música suave inventarem
de mim não te esqueças
teus passos nos dias
nas noites tuas palavras a giz
não te esqueças…
não te esqueças
que a tua presença na minha vida
me faz aprendiz!
leva-me contigo
para que eu não desista
ensina-me
para que eu compreenda.
Rita Schultz - Corpo Cindido »
todas as coisas percebo sem forma
mas ainda há flores vermelhas
brancas
azuis…
há um fio de alma exata
em persistir na trajetória.
sim, é preciso sorrir para a promessa não cumprida!
hesito em acabar-me em poeira e fim.
abstraio a rota quebrada do tempo
e não me detenho em nada:
a saudade em enxergar estrelas
tece amanheceres em mim.
Rita Schultz - Corpo Cindido »
quais são os braços que tu abraças
quando acordas?
qual é o ar que tu respiras quando amas?
nada há de errado no teu caminho
e eu acho que consigo fugir desse silêncio
deixei um gosto amargo na tua boca?
deixaste também na minha!
para mim também é difícil a imensidão do dia:
eu estive nos braços de um anjo
e uma rima se quebrou
a corda do violino se rompeu
agora…
a água que nos proteja
o vento que nos socorra
as pedras que nos sustentem
o dia que nos perfume
a poesia que nos acolha
o fogo que nos queime
a terra que nos guarde juntos
Rita Schultz - Corpo Cindido »
Olá, que gostoso ter você por aqui! Seja bem-vindo.
Sempre que escrevo, vem-me ao pensamento, antes de qualquer outra ideia, a poesia.
Entretanto, num dia destes, em que eu estava pensando sobre a incoerência da vida, ouvi de uma amiga, aqui na minha cidade, uma história.
O bom humor no jogo das palavras nunca foi a minha praia. Mesmo porque, aqui em Minas Gerais, não temos mar. As montanhas empurraram as águas para o oceano, e em conseqüência desse desastre brutal, restaram-nos as serras azuis e infindas, as escarpas floridas, as cachoeiras …
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Olá, você que chegou até aqui.
Hoje eu ofereço um pensamento rápido em forma de prosa poética porque há sobre o meu coração palavras derramadas de princípio e de fim. De sensações travadas pelo dia afora, pela noite adentro.
Agradeço a sua presença e deixo um carinho: pensa devagar. Rema as horas da sua vida com doçura. Porque nada somos, porém causamos tão longos ecos!
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DESFIGURAÇÃO
De vez em quando, a eternidade substitui meu pânico. A compaixão vai desaparecendo e deixa um vazio no meu respirar suspenso. Não é a falta que falta, é …
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Encontrei-me sem mais perguntas.
Tenho na garganta a palavra frustrada.
Penso na perfeita sombra que me acompanhava.
Vê-la desfeita
possibilitou-me vaga e triste rota.
Sem a persuasão da sombra
nada posso.
Incomunicável a lágrima se extingue:
é que havia um murmúrio
- lamento azul e profundo –
que agora desapareceu.
Devagar caminharei na areia inútil desses dias.
Queridos leitores, sintam-se acolhidos pela poesia.
Obrigada por terem vindo.
Beijos mineiros.
Rita Schultz - Corpo Cindido »
É um homem bonito. Inteligente. Nas histórias que conta – e conta muitas – nenhuma mulher lhe escapa. Porque não tem mulher difícil. Tem mulher dificultosa, que dá um cadinho mais de trabalho, mas vem. Vem e cai na sua lábia. Quer dizer, na sua poesia.
Cada vez que chega a casa, risca no caderno chique mais um nome da lista: solteira, sozinha, amancebada, casada, viúva, separada, donzela acanhada.
Ele não é só garganta não! É cão que ladra e morde! Mas morde com delicadeza. Com doçura. Fala, sussurra, geme, faz e …
Rita Schultz - Corpo Cindido »
Vivemos um mundo de tolos. Que se magoam. Que bem lá no fundo sabem que se importam. Porque precisam tomar conta um do outro.
Porque além do sonho, onde mora a dor do existir, há um mundo onde não se conhece ninguém. Onde o orgulho e a subida erguem-se num espaço sem igual; alto, mais alto, bem alto, quando precisávamos apenas o bem da vida, nos braços de um terno abraço.
Somos uns tolos. Rastejamos; trilhamos lágrimas amargas pelo outro que é feito de quimera e guarda o coração rasgado; almas que …
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Foi como se tivesse pisado o orvalho em sua vida, aquele improviso.
Curioso, desafiava a desventura. Desejava ser e estar na luta dos dias. Distribuía sorrisos, desde o despertar até ao cerrar dos cílios, quando então recompunha o corpo nos lençóis macios da madrugada.
E vagamente não tinha voltado ainda daquele espanto. Ainda sentia a pele gelada como se tivesse na mão um diamante.
Foi assim: a ansiedade fizera-o voltar-se para a porta e abri-la num gesto largo, para que a deixasse passar.
Na penumbra, ela veio andando como vem o pássaro, o vestido …
Rita Schultz - Corpo Cindido »
Hoje, quero este momento para me sentar ao teu lado.
A poesia que eu tenho na mão, vou terminar mais tarde.
Longe de teu rosto, meu coração não tem pausa, não tem descanso
e o meu dia se torna uma luta interminável numa praia sem o mar.
Hoje, o frio chegou na minha manhã, trazendo ventos agudos no meu peito
e as andorinhas estão gritando a sua cantoria naquela árvore em floração.
Eu esperava que tu me dissesses adeus antes de ir embora.
Meu espírito adiou-se com medo e temi que o nosso tempo tivesse acabado.
Esperei perto …











